A tristeza do fim

Post rápido só para colocar o fim da história...

Aquela noite foi terrível, Melissa lutava pela sua vida com suas ultimas forças, no quarto espalhavam-se pequeno e abafados gemidos, o rosto não tinha a serenidade, e sim uma expressão forte de dor, os músculos faciais todos tensos, o corpo transpirava muito. E então, a face se acalmou e tudo se silenciou. Melissa parecia dormir agora tranqüilamente.
O dia amanheceu com os doirados raios solares invadindo tudo, os olhos de Melissa se abriram sentindo a luz, ela estranhamente sentia uma diferença em si, algo diferente do que havia sentido nos últimos meses, ela se sentia bem.
A doença parara e começava diminuir, a garota melhorava a cada dia, alguns médicos acharam que realmente o tratamento havia feito o efeito, mesmo que atrasado. Outros achavam que aquilo era um milagre. Para a mãe de Melissa nada importava com o tanto que a filha estivesse bem e feliz.
Melissa ainda ficaria algum tempo no hospital para se recuperar totalmente antes de sair por ai como uma garota sadia. Ela esperava, mas ele nunca aparecia, mesmo quando estava sozinha, nunca mais havia visto Drib, queria muito o ver e mostrar como estava bem agora e dizer a ele que logo seu avô também estaria bem, queria vê-lo.
Ouviu comentários que ele era delírios de sua mente pelas enfermeiras que passavam pelo corredor, mas não poderia acreditar naquilo, mas realmente tinha que admitir que nunca mais o viu e ninguém nunca o tinha visto também.
Um dia se sentindo melhor tomou para ler um dos seus livros favoritos, um cheio de historias e mitos sobre pássaros e notou algo funcionando como uma marcador de paginas.
Abriu o livro, e lá estava uma pluma como a de um pavão, porém, menor e toda em tons que iam do mais vivo amarelo ao puro branco, muito bela. Na pagina que a pena marcava, estava a lenda sobre um passaro sagrado, que tinha uma cauda feita de três plumas de alta beleza, muitos desejavam as plumas como adornos, outros queriam, pois segundo a lenda, cada pluma concederia a quem pegasse um desejo, um milagre. A lenda dizia que o passaro poderia também se disfarçar para fugir de caçadores ou para escolher a quem concederia o desejo. Porém, se o passaro ficasse sem sua cauda, não poderia mais voar, e um passaro que não pode tocar os céus, perde todo o sentido de viver. Ao ler aquilo, tudo fez sentido, tudo se encaixava.
A menina chorou, e em meio as lembranças embaçadas que tinha do estado de semi-sonolência por causa da doença e do tratamento, se lembrou das ultimas palavras de Drib:
"- Se você quer, e tanto se esforçar, ficará boa. Eu prometo que ficara. Mas não mais nos veremos. Esse é o preço. Essa é minha natureza. Continue sendo uma boa menina. Fico feliz de ter sido você a ultima. Vou-me feliz..."
Chorava pelo sacrifício do amigo, do passaro sagrado, tinha que ser ele, estava agradecida a ele, mas sentia falta dele de sua presença e sua voz. Queria ele de volta. Então se lembrou de outro conto que estava em seu livro.
Já era fim de tarde, o clima estava ameno, ventava um pouco, o céu tomava cores laranjas avermelhadas, logo a noite cairia. Melissa passara todo o dia dobrando papeis sem fim, quando finalmente soltou um suspiro aliviado.
- Pronto! Terminei! - sorria Melissa ao fim de seu árduo trabalho. Desde que melhorara havia dobrado pássaros de papeis e guardado em uma caixa, e agora tinha terminado finalmente, tinha mil deles, todos iguais na forma e multicoloridos.
- Mil... Todos feitos pensando num único e verdadeiro e bom desejo. - espalhava, ajeitava e observava as dobraduras sobre a cama.
O ventou sobrou mais forte pela janela que ficava ao lado da cama, mesmo sem muita aerodinâmica, os pássaros todos voaram pela porta e seguiram corredor a fora. E nada aconteceu. Melissa se entristeceu. Teria seu trabalho sido em vão? Seria para alguém impossível receber dois milagres? Seria dessa vez realmente só uma lenda?
Enquanto se perdia nos pensamentos e duvidas que a faziam começar a se entristecer, nem percebeu a entrada de alguém no seu quarto:
- Por acaso isso é seu? - um garoto loiro com cabelo em cachos até os ombros e olhos mel, com a voz aguda e melodiosa lhe perguntava mostrando a menina uma dobradura de papel amarelo em forma de passaro.
A menina na cama, ainda atordoada com os pensamento e a visão do momento, não acreditava no que via. Seria realmente ele? Resolveu então aplicar um teste:
- Você poderia, por favor, pegar um copo de água pra mim?
O garoto sorriu como uma resposta afirmativa. Mirou-se em direção da mesa para pegar a água, tinha aquele andar engraçado e delicado que só ele teria, no caminho acabou tropeçando nos próprios pés. Na queda ela viu três grandes plumas como as da cauda de pavão, mas douradas, semitransparentes, se movimentarem levemente no ar com a queda, como se fossem vindas do fim da coluna do rapaz loiro que caia.
- Ai, ai. Eu ainda não me acostumei a andar... Vivo caindo - dizia baixo para si mesmo enquanto se levantava, mas foi ouvido pela garota que dessa vez não segurou o riso naquele momento.
Melissa sorriu, não como alguém rindo pelo tropeço do outro. Rio pela confirmação. Rio pela presença do outro ali, como sempre fora antes. Rio como há muito tempo não ria. Rio como quando bem pequena e criança, brincava na praça correndo de braços abertos, olhando para o céu, para os pássaros, fingindo que voava com eles.
E agora voava...

FIM

Espero que quem leu tenha gostado, eu me diverti bastante escrevendo...
Alguém percebeu o porque do nome Drib?? XD

o que vem depois? nunca se sabe...

Bom por enquanto é só pessoal!

No place to go...

Ultimamente venho sentindo que não existe lugar para mim.
Todo lugar que fico ou sou ignorado, ou o incomodo e sou incomodado.
Qualquer lugar que eu vá, parece errado.
Eu não sirvo ou ele não me serve
Nenhum lugar.
Nenhuma cidade.
Sou tão errado e torto para essa realidade?
O único lugar que me enquadro é no mundo sonhos
Tenho vontade de ficar lá para sempre
Pena que não posso...
E num de repente momento
Eis que algo me chama para ficar, eis o destino brincando comigo novamente?
Ou uma chance para encontrar lugar real?

Como uma carta, um pedaço de papel rabiscado, pode fazer tudo ficar mais vivo...

Continuando...


- Certo! Bom, Melissa, preciso ir ver o meu avô, mas sempre que vier vê-lo eu passo aqui para te ver também.
Foi terminando a frase e sumindo pela porta indo corredor afora.
E ele fez como prometera, toda semana, umas a duas vezes, durante a tarde, surgia ele, adentrando o quarto, ficava com a menina por alguns minutos, no máximo meia hora, nunca havia passado disso, claro precisava ver e ficar com o avô, era o que sempre achara a menina.
O tempo foi passando, a garota sempre esperava pela visita de Drib, que estranhamente sempre surgia quando ela estava sozinha.
O tempo foi passando. Melissa a cada dia aparentava mais fraca, mais pálida, mais sonolenta, a cabeça já não tinha mais cabelos, nem sobrancelhas, nem cílios. Não sentia mais força para abrir por muito tempo os olhos. A quimioterapia não estava fazendo efeito desejado. Melissa sentia que logo não estaria mais lá.
As ultimas visitas de Drib tinham sido silenciosas, mas percebidas pela menina no segurar das mãos, na voz aguda e melodiosa do garoto que sempre contava algo a ela, e acabava por embalar Melissa nos sonhos, longe da dor por instantes.
A mãe de Melissa passava todo o tempo que podia com a filha, com o tempo passou da esperança com o novo tratamento, ao desespero de perder a filha e já começava a aceitar a derrota, em sua mente passava tudo, todo o sofrimento que vira a filha passar, as transformações da alegre menina que corria atrás dos pássaros com seus longos e pretos cabelos ao vento, na frágil figura pálida que ficava sobre a cama hospitalar.
Começava a aceitar que talvez fosse menor o sofrimento da filha se pudesse descansar em paz, sem sentir aquelas dores, sem passar por tudo aquilo. Como ela queria estar no lugar da menina para que a garota não passasse aquilo, tão jovem.
Via na morte da filha, mesmo que com pesar, como uma saída para tanto sofrimento que estava passando.
A garota até delirava já. Dizia às vezes sobre uma garoto que a visitava no quarto. A Chegou a perguntar sobre o tal garoto para as enfermeiras, mas todas garantiam a ela que nunca tinham o visto e que naquela ala não havia nenhum idoso. E tais delírios preocupavam mais ainda a mãe em relação à filha. Estava a menina perdendo a consciência.
Tudo que ela queria é que a filha pudesse descansar e ser feliz, e nessa vida apenas um milagre poderia fazer isso. Queria acreditar em milagres, mas já não tinha mais forças e fé para isso.
Chorava sozinha no escuro a mulher enquanto apenas se conformava no momento com muita dor que a morte da filha fosse agora o melhor. Descanso para o corpo e para a alma da menina.
Os médicos aos poucos iam ficando cada vez mais desacreditados, haviam terminado as seções do tratamento, que era doloroso por demais para a garota, deixaram-na em paz, apenas esperavam em observação se o corpo iria reagir por si, ou se seria apenas questão de tempo para o fim. Mesmo que quisessem, nada mais poderia ser feito, podiam apenas observar. (Continua... o fim esta próximo...)

Pessoas se cuidem, adoro todos...

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